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PEQUENA HISTÓRIA SOBRE O BARROCO
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A arte barroca originou-se na Itália, no séc. XVII, e não tardou a irradiar-se por outros países da Europa. Foi uma época de conflitos espirituais e religiosos, quando o homem se colocou em constante dualismo: Paganismo x Cristianismo, e Espírito x Matéria. Chegou ao continente americano trazida pelos colonizadores portugueses e espanhóis. O nome barroco somente foi definido para esse tipo de manifestação artística no fim do século XVIII – após o renascimento do clássico -, e definia um tipo de abuso! A
origem do nome pode ser associada
do espanhol Barrueco,
ou até mesmo do português Barroco,
designativo de pérolas de forma irregular, nome esse usado
por joalheiros até esses dias. Mas, o mais provável é que
tenha surgido como um sinônimo de argumento
tortuoso da lógica,
um termo escolástico que definia o absurdo
e o grotesco.
Assim, o Barroco pode ser entendido como a manifestação
artística que desafiou as regras do Renascimento e assim foi
definida por seus inúmeros críticos. Somente no início do século
XX os estudiosos da arte passaram a dar importância a esse
movimento, concedendo aos artistas barrocos o seu verdadeiro
valor. De fato, o Barroco deu uma inestimável contribuição
a arte européia e não foi simplesmente um retrato da decadência
do Renascimento. A manifestação barroca é encontrada, com maior intensidade, nas cidades de influência da igreja Católica Apostólica Romana e, aparentemente, foi uma forma de arte nascida da necessidade dar vida à Contra-Reforma e tentar diminuir a influência do Protestantismo na fé cristã. Com esse fim, a igreja Romana precisava da um tipo de pintura e de escultura que pudesse transmitir emoções, contrapondo-se ao frio e científico estilo clássico. Isso explica porque as obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência. Na arte barroca predominam as emoções e não o racionalismo da arte renascentista. E isso os artistas e arquitetos barrocos foram capazes de retratar, criando efeitos visuais e representando o sobrenatural de uma forma incrivelmente realista. No
fundo, o estilo Barroco não era uma coisa absolutamente nova,
como se pode hoje interpretar Cubismo como algo que
revolucionou a arte. Formalmente o Barroco foi influenciado
pelo Maneirismo, pela Arte Gótica e pela Arte Antiga (grega e
romana). O que havia de realmente novo era a forma de construção
do trabalho
- curvas, contracurvas e colunas retorcidas -, as técnicas
a ele aplicadas – senso de profundidade -, e uma agressiva
abordagem de luz e sombra. Assim as emoções foram
grandemente enfatizadas, tanto na pintura, quanto na
escultura. No entanto, em trabalhos-mestres, como túmulos ou
interiores de igrejas, normalmente o Barroco e o Clássico (até
mesmo o Maneirismo) conviveram de forma harmônica e
equilibrada. A
síntese dessas características é:
Enquanto
para a arte renascentista o linear, o plano, a forma fechada,
a unidade divisível e a clareza absoluta foram os conceitos
fundamentais, no barroco, o pictórico, a profundidade, a
forma aberta, a unidade indivisível e a clareza relativa,
determinaram a mudança desses conceitos. Aliás, o
Barroco pode ser entendido como a maneira de transformação
de qualquer forma de arte. DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO O desenvolvimento do estilo Barroco começou na Itália, por volta de 1.600, quando um grupo de pintores - dos quais os mais importantes foram Michelangelo, Caravaggio e Carracci -, decidiram fazer renascer a antiga Arte Romana, forçando a decadência do Maneirismo. No
entanto, foi o pintor Rubens (Espanhol), que estudou na Itália
entre 1.600 e 1.608, quem criou o estilo Barroco, aplicando em
suas pinturas muita vitalidade, muita cor e muito realismo. Na
Itália, o Barroco se desenvolveu com maior agressividade, já
que Roma (a Igreja), era a principal responsável pela construção
de templos, monumentos e praças, que precisavam ser decoradas
de acordo com a tendência religiosa daqueles dias. Nessa
trilha surgem o escultor e arquiteto Bernini, o arquiteto
Borromini, o pintor Cortona (o mestre do ilusionismo barroco,
com sua obra-mestra Triunfo da Divina Providência,
1633-1639, Palazzo Barnerini, Roma). O BARROCO FORA DA ITÁLIA O
Barroco foi um fenômeno de manifestação artística,
espalhando-se por todas as regiões européias, assim como
para as Américas, trazido pelos portugueses e espanhóis.
Cada região foi adaptando o estilo e a técnica,
interpretando-as dentro de sua ótica regional.
O BARROCO NO BRASIL Na metade do século XVIII, o Barroco já tinha entrado em declínio na Europa. Mas em algumas regiões do Brasil, especialmente em Minas Gerais, ele teve um último desenvolvimento, estimulado pela riqueza gerada pela descoberta de ouro e pedras preciosas. Lá nasceu um gênio cuja arte eternizou - em altares, estátuas e capitús - o esplendor de uma época de excessos e esperanças. O obra do Aleijadinho é tudo que restou dos áureos dias do Brasil. Nasceu em 1730, em Vila Rica (hoje Ouro Preto). O pai, que desenhava fachadas de igrejas e entalhava altares, fez o filho estudar e levou-o, já adolescente, a trabalhar em sua oficina. Em pouco tempo, Antônio Francisco já demonstrava seu inimitável talento. Foi, entretanto, depois do aparecimento de sua doença que sua obra começou a tomar-se realmente grandiosa: suas esculturas, caracterizando-se pêlos rostos emagrecidos, que deixam entrever os ossos sob a pele,e pelo exagero dos pés e mãos, impressionam pela originalidade. Os seus grandes grupos estatuários são desse período (1796 a 1799): Os Passos da Paixão em madeira, e os Doze Profetas, em pedra-sabão, que se encontram no Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo. Faleceu em 18 de novembro de 1814, aos 84 anos, tendo passado os dois últimos anos de sua vida sem sair do leito, quase cego e paralítico. O Museu da Inconfidência, que se encontra em Ouro Preto, possui diversas estátuas de sua autoria, como as de São Jorge, Nossa Senhora e a do Senhor da Coluna. As igrejas de Sabará, Tiradentes, Nova Lima e outras, têm imagens ou trabalhos de entalhe feitos em altares, púlpitos etc. |